Como vai evoluir a taxa de juros em 2024?

Conheça os fatores que vão determinar a performance da taxa de juros

Esta é a pergunta de um milhão de euros que todas as famílias com crédito à habitação gostariam de saber a resposta. Conheça as perspetivas dos especialistas sobre o desempenho esperado da taxa de juros para este novo ano.

Nos últimos dois anos as famílias viram os seus encargos mensais multiplicarem-se devido à subida da taxa de juros e os seus rendimentos subtraírem-se devido à escalada da inflação. Efetivamente, quem tinha há dois anos um crédito de 100 mil euros a pagar em 30 anos, indexado à Euribor a 3 meses e um spread de 1%, estava a pagar uma prestação mensal de 295,61 euros. Hoje esse mesmo crédito representa uma prestação no valor de 535,11 euros.

Mas há boas notícias para as famílias: tudo aponta para que o pico das taxas interbancárias que servem de referência para o cálculo das prestações da casa tenha já sido atingido no final de 2023. Esta é, pelo menos, a convicção do Banco de Portugal. “Atingimos o topo das taxas Euribor no quarto trimestre de 2023. As atualizações trimestrais nos contratos em que a Euribor a três meses é utilizada a partir de dezembro e janeiro já vão refletir uma ligeira redução das taxas”, afirmou recentemente o Governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, durante a apresentação do último Boletim Económico.

Ainda assim, tal não significa necessariamente que as famílias sintam um alívio muito expressivo nas prestações mensais com os seus créditos nos próximos meses. Explicamos porquê.

Conheça os fatores que vão determinar a performance da taxa de juros

A evolução da inflação e o desempenho da atividade económica serão os principais fatores que vão influenciar a atuação dos bancos centrais em 2024. Se a inflação mantiver a rota descendente e se a economia europeia abrandar mais do que o esperado, o Banco Central Europeu (BCE) poderá fazer cortes nas taxas de juros mais rapidamente. No entanto, a instituição liderada por Christine Lagarde tem mantido uma postura prudente sobre este tema. Na última conferência de imprensa, em dezembro, a presidente do BCE, mostrou-se cautelosa, referindo que um cenário de descida das taxas diretoras ainda não está a ser discutido.

Ainda assim, a maioria dos economistas (57%) inquiridos numa poll da agência Reuters, no início de dezembro último, espera que o BCE efetue pelo menos um corte das taxas de juro antes da reunião de Conselho de Governadores do BCE de julho.

Se este corte de juros se concretizar, as taxas Euribor deverão aliviar, traduzindo-se numa descida das prestações dos créditos à habitação de taxa variável. Contudo, estas descidas deverão ser graduais. Segundo o Banco de Portugal, “os participantes nos mercados esperam que as taxas Euribor caiam ao longo de 2024, mas de forma gradual, após uma subida de 4,5 pp face ao início de 2022; a descida será entre 0,7 pp e 1 pp (dependendo do prazo), face ao valor máximo observado, para valores um pouco acima de 3% em dezembro de 2024”, de acordo com as estimativas do regulador publicadas no último Relatório de Estabilidade Financeira.

Também a Comissão Europeia estima que o caminho de descida das taxas Euribor seja lento. “Os futuros da Euribor a 3 meses sugerem que, após terem atingido um máximo de 4% em outubro, as taxas de juro nominais de curto prazo da área do Euro irão gradualmente diminuir e atingir 3% até o final de 2025”, é possível ler-se no relatório sobre as previsões económicas de outono.

Ou seja, apesar de tudo apontar para o fim do ciclo de subidas das taxas Euribor, não é esperada uma descida abrupta das taxas interbancárias. É ainda importante lembrar que estas previsões poderão ser alteradas em função da divulgação de novos indicadores económicos.

Taxa de juros em 2024: três conselhos a reter

Porque a incerteza deverá ser uma nota dominante ao longo dos próximos meses e porque os encargos com o crédito à habitação deverão manter-se elevados (mesmo apesar de algum alívio da taxa de juro) é importante as famílias preparem os seus orçamentos familiares para um ano desafiante.

  1. Em caso de dificuldades recorra aos mecanismos de apoio

    Os clientes bancários com dificuldades em cumprir com o pagamento das prestações dos créditos deverão entrar em contacto com o seu banco para tentar encontrar uma solução que permita evitar o incumprimento. Essa solução poderá passar por uma renegociação das condições do crédito ou pelo acionamento de um dos apoios públicos atualmente em vigor, como é o caso da moratória do crédito ou da bonificação dos juros.

  2. Pondere transferir o crédito para outro banco

    Uma outra possibilidade para diminuir os encargos com o crédito à habitação passa por transferir o empréstimo para outra instituição bancária que ofereça melhores condições. Se quer saber se compensa (ou não) transferir o financiamento utilize este simulador.

  3. Se possível, amortize o crédito à habitação

    Para as famílias com uma maior folga orçamental, uma alternativa a ponderar será a amortização, ainda que parcial, do capital em dívida do crédito. Desta forma, os clientes bancários conseguirão reduzir o valor da prestação mensal ou diminuir o prazo de reembolso do empréstimo. Tudo isto com uma vantagem adicional: até 31 de dezembro de 2024, os clientes bancários com um empréstimo para a compra de habitação própria e permanente estão isentos do pagamento da comissão por reembolso antecipado.

Se tem um crédito à habitação ou está a ponderar contratar um empréstimo à habitação em 2024, os especialistas da Twinkloo podem ajudá-lo na escolha da melhor opção de crédito para o seu caso. Contacte-nos.

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