Intermediários de crédito: o principal canal de acesso a financiamento
O mercado de crédito aos consumidores voltou a crescer em 2025 e os indicadores de incumprimento mantiveram-se globalmente contidos, um sinal positivo para a estabilidade financeira das famílias. Neste contexto, os intermediários de crédito reforçaram-se como o principal canal de informação e comercialização de crédito ao consumo e à habitação.
Em 2025 foram celebrados 133.602 novos contratos de crédito à habitação, mais 11,5% do que no ano anterior. O crédito pessoal, com um total de 514.766 novos contratos, teve um crescimento ainda mais expressivo, de 12,1%, registando o maior aumento entre os segmentos de crédito aos consumidores.
Este crescimento foi impulsionado pela descida das taxas de juro, por um mercado de trabalho estável e uma situação económica favorável, condições que, de acordo com o Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito, do Banco de Portugal, têm vindo a debilitar-se em 2026. A instituição destacou ainda dois outros pontos:
- A manutenção de rácios relativamente baixos de incumprimento. Embora o Banco de Portugal assuma que, em termos agregados, o incumprimento continuou contido e compatível com um crescimento sustentável do mercado, frisou a necessidade de promover um crédito mais responsável. Neste sentido, estabeleceu novos limites para o Debt Service-to-Income (DSTI) ou taxa de esforço e para maturidade de novos créditos (em vigor a 1 de agosto de 2026).
- O aumento da representatividade dos intermediários de crédito, sublinhando que se afirmaram, pela primeira vez, como o canal de comercialização de crédito mais procurado pelos consumidores em Portugal.
Intermediários de crédito: o principal canal de acesso a financiamento
A intermediação de crédito foi regulamentada no nosso país em 2018 e apenas passados oito anos estes operadores especializados intervieram em mais de metade dos novos contratos à habitação e hipotecário. Da mesma forma, apoiaram mais de metade dos montantes concedidos no crédito ao consumo:
- No crédito à habitação e hipotecário, intervieram em 57% dos novos contratos celebrados, que representaram aproximadamente 14,8 mil milhões de euros em financiamento, mais do que os 11,5 mil milhões de euros em 2024.
- No crédito aos consumidores, estiveram presentes em contratos equivalentes a 50,6% do montante total concedido, face a 49,9% em 2024. Quer isto dizer que o peso do crédito concedido com a sua intermediação correspondeu a mais de metade dos 9.127 milhões de euros financiados.
- O montante de crédito concedido diretamente por instituições de crédito aumentou 7,8% e o concedido através de intermediários de crédito aumentou 11,0%, face a 2024.
Maior representatividade, mais confiança e responsabilidade
De acordo com o Banco de Portugal, estes números sinalizam “uma mudança no modelo de distribuição do crédito aos consumidores”, que reflete o acréscimo da importância dos intermediários de crédito no crédito pessoal e no crédito renovável.
Para João Nunes, Gestor de Formação e Auditoria da Twinkloo, mais importante do que o aumento de processos ou de montantes, é o que revelam estes números em termos da confiança e valorização do trabalho dos intermediários de crédito.
“Contratar um crédito é uma decisão que pode acompanhar uma pessoa ou uma família durante muitos anos da sua vida e nem sempre é simples compreender as diferenças entre produtos, taxas, prazos e condições... Ajudar a identificar a solução que melhor se ajusta às suas necessidades, objetivos e capacidade financeira implica conhecer a situação do cliente, avaliar o impacto da prestação no orçamento familiar, explicar com clareza os diferentes encargos e apresentar informação que permita uma decisão verdadeiramente informada. É principalmente aqui que está a mais-valia dos intermediários de crédito”, refere João Nunes.
O responsável sublinha que esta informação, transparência e acompanhamento são particularmente importantes num mercado cada vez mais digital, em que os processos ganham crescente acessibilidade e rapidez, mas em que estas características não equivalem a simplicidade da decisão. O crescimento da representatividade destes operadores no acesso ao crédito reforça também a responsabilidade que têm de fazer este acompanhamento próximo e esta partilha de informação clara, rigorosa e compreensível, que apoia decisões sustentáveis e reduz o risco de sobre-endividamento.
Refira-se que, no final de 2025, existiam mais de 6200 intermediários de crédito a atuar em Portugal. Os operadores com presença multicanal e cobertura territorial mais alargada têm melhores condições para disponibilizar aos portugueses informação concreta, que lhes permite comparar propostas e avaliar a sustentabilidade do endividamento, baseada no conhecimento que têm das diferentes realidades regionais.
Vejamos, com mais detalhe, como apoiaram a evolução do mercado de crédito em 2025.
Crédito à habitação com forte crescimento
O crédito à habitação foi um dos segmentos mais dinâmicos do mercado. A cada mês, foram celebrados, em média, 11.134 novos contratos de crédito à habitação, aos quais correspondeu um montante médio de crédito concedido de 1949,9 milhões de euros.
No total do ano, o crédito à habitação concedido representou cerca de 23,4 mil milhões de euros, 34,9% acima de 2024, um aumento muito significativo que ficou a dever-se a fatores como a descida das taxas de juro de referência e a Garantia Pública do Estado para jovens até aos 35 anos, um apoio que beneficiou 18,8% dos novos contratos e 21,3% do montante concedido.
O valor médio dos novos empréstimos à habitação aumentou para cerca de 175 mil euros, mais 21,1% do que em 2024, refletindo a subida contínua dos preços das casas.
Nos restantes créditos hipotecários, o montante anual concedido aumentou para 2,7 mil milhões de euros, mais 1,8% face a 2024, embora o número de novos contratos tenha decrescido para os 37.366 (-8,7%).
Tanto no créditos habitação e hipotecário, os rácios de incumprimento diminuíram:
- Em montante desceu para 0,1%;
- em número de contratos desceu para 1,5%.
Crédito aos consumidores continuou a crescer
Também o crédito aos consumidores manteve uma trajetória de expansão. Em 2025, o montante concedido aumentou 10,8% e o número de contratos cresceu 4,4%. Os segmentos de crédito pessoal e crédito automóvel foram os principais motores deste crescimento.
Ao mesmo tempo, o custo do crédito apresentou uma ligeira redução. A TAEG média do mercado situou-se em 12,6% no final do ano, abaixo do valor registado em 2024, acompanhando a descida das taxas diretoras do Banco Central Europeu.
Os intermediários de crédito representaram 50,6% do montante de crédito aos consumidores concedido, um aumento face a 2024 (49,9%). Este aumento reflete o acréscimo da sua importância no crédito pessoal e no crédito renovável.
No segmento de crédito automóvel o papel dos intermediários de crédito é ainda mais representativo: são responsáveis pela concessão de 82,6% do montante de crédito.
No crédito aos consumidores verificou-se apenas um ligeiro aumento do rácio de incumprimento:
- em montante: 1,2%;
- em número de contratos: 4,7%.
Num mercado de crédito em crescimento, comparar propostas, compreender os encargos associados a um empréstimo e avaliar o impacto da prestação no orçamento familiar são passos essenciais para tomar uma decisão sustentável. O acompanhamento de um intermediário de crédito pode tornar este processo mais claro e informado. Na Twinkloo, uma equipa especializada está disponível para apoiar cada cliente neste caminho, ajudando a identificar a opção mais adequada e responsável.
Respostas essenciais sobre o mercado de crédito
O que fazem os intermediários de crédito?
Os intermediários de crédito ajudam os consumidores a procurar, comparar e analisar propostas de financiamento. Podem apoiar a preparação do processo e esclarecer características dos produtos de crédito, mas não concedem diretamente empréstimos.
Qual foi o peso dos intermediários de crédito em 2025?
Segundo o Banco de Portugal, os intermediários de crédito estiveram envolvidos em 57% do montante concedido no crédito à habitação e hipotecário. No crédito aos consumidores, o montante concedido através de intermediários representou 50,6% do total.
O crédito à habitação cresceu em 2025?
Sim. Em 2025, foram celebrados 133.602 novos contratos de crédito à habitação, mais 11,5% do que em 2024. O montante concedido ascendeu a cerca de 23,4 mil milhões de euros.
O crédito aos consumidores também aumentou?
Sim. O montante de crédito aos consumidores aumentou em 2025, com destaque para o crédito pessoal e o crédito automóvel.
O que deve ser avaliado antes de contratar um crédito?
Antes de contratar um crédito, é importante comparar propostas, analisar a TAEG, o montante total a pagar, o prazo, o tipo de taxa de juro e o impacto da prestação no orçamento familiar.
A Twinkloo pode apoiar esta avaliação?
Sim. A Twinkloo é um intermediário de crédito que apoia os consumidores na análise das suas necessidades e capacidade financeira, na simulação de diferentes cenários e na comparação de propostas de várias instituições de crédito. Ao longo do processo, esclarece as condições, os encargos e o impacto de cada solução no orçamento familiar, contribuindo para uma decisão mais informada, sustentável e ajustada ao perfil de cada cliente.