Como se explica a subida das taxas Euribor?

Inflação e guerra na base da subida das taxas Euribor

Era bom, mas acabou. Depois de anos em valores negativos, as taxas Euribor começaram a subir e as prestações dos empréstimos à habitação a ficar mais caras. Que impacto tem a subida das taxas de juro na sua carteira?

Sofia Gomes vive em Sintra e está preparada para, nos próximos meses, pagar uma prestação mais alta pelo seu crédito habitação. Ela tem, há muito, uma poupança reservada. Esta funcionária pública não se esquece quando, em 2008, as taxas Euribor excederam os 5% e a sua prestação mensal atingiu os 400 euros. Atualmente, paga 217 euros.

“Espero que as prestações não voltem para os valores de 2008. Consigo pagar até mais 200 euros/mês no empréstimo. Mais do que isso, terei de cortar nos gastos extra e ser ainda mais seletiva no supermercado”, explica à Twinkloo.

Inflação e guerra na base da subida das taxas Euribor

Sofia faz parte dos mais de dois milhões de portugueses com crédito habitação que já estão a sentir – ou a antecipar – um aumento dos encargos devido à subida das taxas Euribor. O ciclo de juros negativos terminou e a Euribor a 3 meses, a 6 meses e a 12 meses estão em terreno positivo. Como se justifica a inversão do ciclo?

O ponto de viragem deu-se em fevereiro quando o Banco Central Europeu (BCE) admitiu a possibilidade de subir a taxa de juros de referência ainda este ano para controlar a inflação, o que desencadeou as subidas das taxas Euribor. Com o conflito na Ucrânia a intensificar as pressões inflacionistas, a autoridade monetária endureceu o discurso. "Iremos até onde for necessário para que a inflação estabilize no nosso alvo de 2%, no médio prazo”, afirmou Christine Lagarde, presidente do BCE, em junho.

Pela primeira vez em mais de 10 anos, o BCE decidiu em julho proceder a um aumento de 50 pontos base das três taxas de juro diretoras. E em setembro, a instituição liderada por Christine Lagarde voltou a subir os juros, desta vez em 75 pontos base. Tratou-se do maior aumento de sempre.

Como a subida dos juros afeta a sua carteira?

Se as taxas Euribor continuarem a subir, que impacto terá nas carteiras das famílias? Vamos às contas, com o apoio do Simulador de Crédito Habitação do Banco de Portugal. Imaginemos, por exemplo, os casos da Sofia Gomes e de outra família.

Cenário 1

Família Gomes

Dívida restante de 47 mil euros. O crédito será saldo dentro de 22 anos.

Euribor a 3 meses (0,395%)

Spread 1,5%.


Prestação atual: € 217,85

Euribor a 2%: € 255,53

Euribor a 3%: € 280,77

Euribor a 4%: € 307,31

Cenário 2

Família Silva

Crédito de 100 mil euros, a pagar em 30 anos

Euribor a 12 meses (1,249%)

Spread 1%.



Prestação atual: € 299,58

Euribor a 2%: € 421,60

Euribor a 3%: € 477,42

Euribor a 4%: € 536,82

O que fazer perante a subida das taxas Euribor?

Para famílias com orçamentos apertados, é essencial uma estratégia que evite incumprimentos nas prestações. Considere:

  • Criar/reforçar o fundo de emergência;
  • renegociar condições dos empréstimos;
  • transferir o crédito habitação para outro banco (faça a simulação);
  • analisar despesas do orçamento familiar e perceber onde cortar gastos.

Prepare-se, desde já!

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